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Conto: A arte do destino - parte 8

5.10.13

E por mais que exista destino, pelo menos 50% do que acontecerá depende somente de você. Das suas escolhas.


Sabe, tem vezes na vida que o tempo voa. Principalmente quando estamos vivendo sem fortes emoções, sem felicidades, sem amores. Tem quem diga que o tempo só passa rápido quando estamos fazendo algo que gostamos, mas é pura ilusão. Voa nesses momentos de alegria pura também, mas não apenas neles. Quando se vive na monotonia, as horas passam, você mata seu tempo fazendo qualquer coisa inútil e quando vê, o dia/mês/ano acabou. E assim o tempo acaba voando, sem que você tenha aproveitado como deveria. Como lá no fundo, talvez, gostaria.

Até poderíamos nos aprofundar sobre os acontecimentos da vida de Daniel e Amélia nos quatro anos que se seguiram depois da última vez em que se falaram, no dia da briga. Mas não o faremos. Até porque, como ambos viveram vidas quase totalmente monótonas desde então, não teríamos nada de interessante para falar. Então vamos direto as poucas partes importantes que interessam:

* Ainda no ano da briga, Amélia terminou o terceiro ano do ensino médio. Se formou sendo a primeira da classe. Talvez deixar de falar com Daniel tenha servido para ao menos uma coisa boa afinal.
* Naquele mesmo ano, Amélia e sua mãe tiveram inúmeras discussões sobre a profissão que Amélia desejava seguir (fotografia) e as que sua mãe queria que ela exercesse (advocacia, medicina... algo que desse dinheiro).
* Amélia conseguiu, depois de muita luta, o apoio da mãe para seguir seu sonho.
Passou dois anos e meio fazendo cursos de fotografia em São Paulo. Sua antiga amiga, Camila, que costumava fotografar com ela sempre, fez também.
Após esses dois anos e meio, Amélia e Camila, abriram juntas um estúdio de fotografia que ficou conhecido na cidade como BP 4EVER, sigla para Best Photos 4ever.
O estúdio fez muito sucesso e, em meio ano, Camila e Amélia já receberam completamente o retorno financeiro que gastaram para abrir o estúdio e ainda obtiveram um pouco de lucro. Amélia inclusive comprou um apartamento e saiu da casa dos pais.

E foi isso que aconteceu na vida de Amélia. Sobre Daniel falaremos mais tarde. E não pense que eu esqueci que ele tem uma história mal explicada, porque, no momento certo, você entenderá tudo direitinho. Confie em mim.

Durante quatro anos, Amélia não regressou a Porto Alegre. Liana contou a Dona Melina sobre o que ocorreu entre Daniel e Amélia. Elas decidiram que seria melhor Amélia não voltar a cidade tão cedo e, Senhor Vinícius, quando soube da história, sugeriu que, daquele momento em diante, eles fossem a São Paulo visitar a filha, a neta e o genro, não mais o contrário. E assim foi feito.

Depois de cerca de um ano e meio, Amélia até acreditou que finalmente havia esquecido Daniel. Pensar nele já não lhe doía mais, a deixava apenas com um pouco de saudades. Saudades da ilusão mais real que viveu em toda a sua vida. Lhe aliviava não ter que voltar a Porto Alegre, era mais seguro para seu coração permanecer em São Paulo.

Ela tinha um estúdio fotográfico. Um apartamento. Uma renda mensal boa. Mas Amélia sentia que faltava algo. Só não sabia o que. Ou melhor: sabia, mas não queria admitir. Como Camila disse, certa vez, em uma conversa aleatória com a amiga: “a vida é bela, mas o orgulho as vezes atrapalha ela”. O orgulho que a fez não deixar com que Daniel terminasse sua explicação, o orgulho que antes enchia o peito de Amélia, mas que depois a deixou com um buraco dentro da alma. Ela precisava de um último encontro com Daniel, mas tinha medo até mesmo de pisar em Porto Alegre. Então deixou essa ideia de lado, o máximo que conseguiu.
Até que o destino cansou de esperar e a obrigou a voltar a cidade que tanto temia.


Eram 3:30h da manhã de uma terça-feira quando o celular de Amélia tocou, acordando-a.
- Amélia? Filha? – Era Dona Liana, com a voz um tanto nervosa.
- Oooi mãe... O que foi pra me ligar essa hora? – Respondeu Amélia, sonolenta.
- Querida, sua avó está doente.
- O que?? – Amélia acordou totalmente ao ouvir as últimas palavras ditas por Liana, que explicou direitinho tudo que estava acontecendo.

Já faziam algumas semanas que Dona Melina vinha passando mal. Só que ela escondeu isso de todo mundo, inclusive de Senhor Vinícius, e só confessou depois de muita insistência do médico que cuidou dela. Senhor Vinícius a encontrou passando mal no banheiro na noite de segunda-feira, 19:14h, e a levou imediatamente ao médico. Dona Melina foi submetida a uma série de exames e, por fim, o médico concluiu que ela estava com suspeita de câncer na bexiga. Ao ouvir essa notícia, Amélia chorou ao telefone. E Liana chorou junto.
Quando conseguiu finalmente controlar o choro, Liana perguntou se deveria incluir uma passagem aérea para Amélia, porque ela e Eduardo viajariam para Porto Alegre o mais rápido possível. Amélia aceitou sem pensar duas vezes.

Na quarta-feira daquela mesma semana, Dona Melina pôde voltar - temporariamente - para casa, enquanto os resultados dos novos exames que fez não saíam. E quinta-feira, 13:00h da tarde, embarcavam em um vôo para Porto Alegre, Liana, Eduardo e Amélia. Camila se comprometeu a cuidar do estúdio fotográfico sozinha por quanto tempo fosse preciso. Ás 14:45h já estavam no aeroporto de Porto Alegre, entrando no táxi que os levaria até a casa de Dona Melina e Senhor Vinícius. Ao passarem em frente ao Santander Cultural, Amélia se alegrou por não estar pensando em Daniel, mas logo se tocou de que ficar feliz por não pensar em Daniel era uma forma de estar pensando nele.

Milagrosamente, o trânsito não estava tão ruim. Por isso não demoraram a chegar na casa de Dona Melina e Senhor Vinícius. Chegaram de surpresa, sem nenhum dos dois saber, já que era bem provável que Dona Melina proibisse Liana, Eduardo e Amélia de ir a Porto Alegre se soubesse que planejavam fazer isso.

O portão da casa deles estava aberto. Liana e Eduardo foram tirando as malas do taxi, e Amélia foi entrando no terreno. Parou a cerca de dois metros da porta fechada da casa, quando ouviu uma voz conhecida começando a cantar, acompanhada do som de um violão.

“Faz frio em Porto Alegre toda noite 
E de longe eu não posso te ver 
Então me perco em pensamentos de um passado 
Que há muito tempo eu quero esquecer 
Eu só quero falar que ao teu lado 
Eu tava errado, eu nunca consegui viver 
Mas só eu sei de você 

Só não queria dizer adeus 
É que eu tinha tanto pra contar 
Eu não queria dizer 

Eu volto há tanto tempo e cada vez 
Parece que o meu tempo não passou 
Eu não encontro nada que me dê motivo 
Outra vez pra procurar o que sobrou 
Eu vivo condenado e sem saída 
De um passado que parece não ter fim 
Você não sabe de mim...”

A pessoa parou de cantar nessa parte da música. Amélia conhecia aquela música: era Porto Alegre da banda Fresno. E Amélia sentiu que também conhecia a voz do garoto que estava cantando na casa de sua avó. Do lugar onde estava, não conseguia ver pela janela quem tava na sala, mas tinha lá suas suspeitas. O que ouviu em seguida a fez ter certeza.

- Você canta e toca muito bem! Tem alguma outra música? – Era a voz de Dona Melina.
- Na verdade não, comecei a tocar violão esse ano, ainda estou aprendendo, e no momento só sei essa, Dona Melina. – Respondeu o garoto.
- Essa canção é, no mínimo, melancólica. Por que a escolheu, Daniel?
- A Senhora tem certeza de que não sabe? – Respondeu ele, com uma voz triste. Uma pena Amélia não ter visto o sorriso igualmente triste que ele exibiu nesse momento.

O coração de Amélia praticamente parou ao ouvir a última pergunta de Daniel. E aquela sensação de vazio que sentia sumiu instantaneamente. E se quer saber, doeu muito. Doeu ter que fingir que não sentiu nada ao cogitar que Daniel tivesse aprendido a tocar aquela música por causa dela. Doeu lembrar de tudo o que aconteceu entre eles, pensar em como a história poderia ter sido diferente. Amélia teve vontade de sair correndo. Mas estava a dois metros da porta, e foi forte: ela respirou fundo, criou coragem e tocou a campainha.

16 comentários:

  1. AAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAH VOU TER UM TRECOOOOOOOOOOOOOOOOOOO
    Vou ler, vou ler, vou ler!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!

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    1. ASHUASHUASHUAS' A essa altura já deve ter lido, certo? Espero que tenha gostado, Carolzita! ^^

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  2. OMG! Táis, que capítulo incrível foi esse? Me senti lendo um livro em vários momentos, e tinha tanta frase de impacto que eu até senti vontade de marcar como quote <3 Fala sério, você não para de melhorar a cada post! E, não falo isso apenas para que o conto não tenha fim - claro que terá, mais cedo ou mais tarde - mas sim para você continuar escrevendo. Acredite, posso não ser profissional nem nada assim, mas, como amiga, digo que você está cada vez melhor! :') Muito lindo o capítulo! E esse final foi simplesmente... INCRÍVEL! <3
    Beijos...

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    1. <3333 Muuuuuuuito obrigada mesmo, Sâmmy! Pode deixar amiga, não pararei de escrever não, nunquinha. u.U
      Fico feliz que tenha gostado do capítulo! Logo tem mais. ♥
      Beijos!

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  3. Olha, tomei vergonha na cara e fui ler os capítulos anteriores u3u Vou dizer que fiquei triste com essa briguinha deles, mas confesso que achei o namorinho deles meio passageiro.. Quero duzer, aconteceu muito rápido! Mas é como você disse: o destino não falha :3 Ansiosa para o próximo capítulo! Não me deixe com tanta ansiiedade, quero saber se os dois vão reacender o amor que antes tinham um pelo outro *-*

    Beijinhos,

    Juu-Chan || Nescau com Nutella

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    1. Acho que a seguinte frase combina bem com o conto:
      "O valor das coisas não está no tempo que elas duram, mas na intensidade com que acontecem. Por isso existem momentos inesquecíveis, coisas inexplicáveis e pessoas incomparáveis" - Fernando Pessoa.
      :)
      Okay, logo postarei a continuação! ^^
      Beijinhos! ♥

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  4. Aaain que tudo! Adorei o cap, ficou incrível amiga, parabéns!
    Muito legal ela ter tido tanto sucesso, mas acho q ela devia superar o menino pois ele foi muito sacana com ela no passado.

    Beijos, Line
    putmerd.blogspot.com

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    1. Obrigada Line! ^^
      Na verdade ele não foi tão sacana assim... ops! Já estou falando de mais aqui...
      Beijos ♥

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  5. OMG, nem sei o que dizer... Amélia agora tem 21 anos?
    Que bom que a mãe dela aceitou deixá-la fazer o que gosta! Esse capítulo me lembrou o livro que estou lendo... ^_^
    Muita sorte para a Amélia, pois eu, no lugar dela, sairia correndo!

    Kisses <3
    ♥ Meu jardim Secreto (ou clique no perfil)

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    1. Tem 21 anos sim! Esqueci de colocar isso nessa parte =P #Fail.
      Fiquei feliz pela Amélia também, deve ser legal realizar um sonho! ^^ Qual é o livro? u.U
      Ashaushuas' Acho que eu também correria, o mais rápido que pudesse!
      Beijos ♥

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  6. EU VOU TER UM TRECO, ELA VIROU FOTOGRÁFA? E MÃE DELA DEIXA? ISSO É O QUE? UM SONHO?

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    1. Ashuahsuas' Nops! É realidade!
      Realidade do conto, quero dizer. kkkk' ^^

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  7. Você arrasou, e sei que vai continuar arrasando com esse conto, eu amei a música Porto Alegre do Fresno... É muito linda!!! E valeu pelo comentário do meu conto... UMA NOVA VIDA (parte 3) em projeto neste momento... hahaha...

    ::: http://mostrandoquemsomos.blogspot.com.br :::

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    1. Obrigada Paulinha, sua linda! u.U
      Também amo essa música ♥ Não vejo a hora de ler a parte 3, hehe :)

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  8. Respostas
    1. A próxima parte está prontinha, provavelmente vou postar amanhã (dia 03) ^^

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