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Alegria Incalculável

13.6.14

Poem A Day 13 - Tema: Personagem Literário
Alegria Incalculável


Sim, a guerra havia acabado! Max mal podia acreditar que agora ele e suas plumas estavam livres. Livres! A chave da gaiola demorara tanto a chegar que ele imaginou que nunca mais caminharia pelas ruas de cabeça erguida novamente. Ele já tinha certeza de que Hitler, o homem que dominou o mundo com palavras, que tinha aquele bigode tão esquisito, venceria. Era questão de tempo até ele e todo seu povo estarem mortos. Max pensava nisso o tempo todo. Sentia saudades da sua família o tempo todo. Se tivesse ao menos virado as costas uma última vez... NÃO! Essa culpa lhe perseguiria pelo resto de sua vida, e lhe matava aos poucos. Max não precisava de nada o matando por dentro: já era suficiente a velocidade com que morria por fora.
Mas ele podia ver o céu. Isso lhe trazia saudades de Hans e Rosa Hubermann, e de Liesel. Liesel! Pensar nela fazia Max sorrir. Pensar no pedaço de céu que ela lhe presenteou aquecia seu coração. Ás vezes, pensar em Liesel trazia junto a culpa e a preocupação de ter deixado ela e seus pais correndo tanto perigo por sua causa, sendo que seu destino era morrer. As lembranças da menina que roubava livros, dos seus singelos presentes enquanto estivera dormindo por dias e dias, eram ultimamente seus únicos pensamentos felizes.
Liesel sabia que ele tinha sido pego. A dor estava presente em seus olhos na última vez em que se encontraram. Junto com tantos outros judeus. Max tinha deixado de ser o homem que roubava o céu para virar mais um prisioneiro de Hitler. Era lamentável. Mas nada mais disso importava agora. "Tudo já acabou, Max!", repetia para si mesmo, muito embora soubesse que era mentira. As marcas que todo aquele sofrimento deixou em seu coração jamais desapareceriam.
Rumou a Rua Himmel. Precisava voltar, olhar nos rostos das pessoas que o ajudaram e dizer que estava vivo. Queria urgentemente ver os olhos de Liesel felizes, brilhantes, ao contrário da última vez. Mas então descobriu o que aconteceu lá. Chorou por dentro. Teve vontade de bater nas paredes até esgotar todas as suas forças. Como Hitler deixara isso acontecer com seu próprio povo? A raiva que sentiu era incalculável.
Mas Liesel sobreviveu! E a alegria que Max sentiu ao abraçá-la depois de tanto tempo era, assim como sua raiva, incalculável. Só que um milhão de vezes maior! Em meio as lágrimas dos dois, encontrou nos olhos dela o reflexo dos seus: alegria misturada com dor. Uma dor que jamais desapareceria de ambos, mas que, no momento, era ofuscada pela tamanha felicidade de não estarem mais sozinhos. De terem sobrevivido. De terem a amizade um do outro.
Você já deve ter sacado, mas só para registrar: escrevi sobre o Max, de A menina que roubava livros, um dos meus personagens favoritos e um dos meus livros favoritos. ♥ Espero que tenha gostado!
 Um beijo, Taís K.

3 comentários:

  1. Eu gosto muito do Max, acho ele um dos personagens literários mais fortes. E eu adorei este texto, amei mesmo! ♥
    photo-and-coffee.blogspot.com

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  2. Meu Deus, que texto mais perfeito, Parece feito pelo próprio Markus Zusak.
    Chorei aqui! Amei esse livro!
    Bjs da Le
    http://leversosecontroversias.blogspot.com.br/

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  3. Max <3 <3 Um dos meus personagens favoritos de todos os tempos. Adorei ler o seu texto, e eu sempre imaginei como havia sido o momento em que a guerra acabou para Max, e agora você escreve! Amei de paixão o seu texto e o seu blog. Já tô seguindo, e espero voltar aqui mais vezes.
    cronicasdeumlunatico.blogspot.com

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