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Um amontoado de clichês

10.6.14

A Poem A Day 10 - Tema: O mar
Um amontoado de clichês


Faz muito, muito tempo desde a última vez que eu vi o mar. Anos. Eu ainda era uma criança. Não que agora eu seja lá muito adulta... Só cresci um pouco em idade, mas estou até mais criança do que já fui, para ser sincera. Antes, pelo menos eu sabia o que queria e acreditava que meus sonhos seriam reais algum dia. Eu realmente costumava crer que era invencível, ao contrário de agora, que, na maior parte do tempo, tento provar para mim mesma que sou capaz. Tem horas que é difícil.
Mas o lado bom dessa fase de incertezas é que eu passei a prestar atenção nos momentos, a pensar no por que das coisas. Estou sempre a refletir, mesmo que inconscientemente. Tudo bem, não sei se isso é algo bom. Parte de mim acredita que não, mas o meu todo diz sim. Prefiro sempre acreditar que há algo bom, para ser sincera. Porque, bem, sempre há. Você só precisa descobrir ou mesmo inventar o lado positivo das coisas. Sim, inventar conta!
Toda vez que penso no mar, me voltam as memórias do quanto fui ingênua. Deixei que professores de geografia me convencessem de que existem ondas no mar apenas por conta da ação do vento. Mentira! Quero dizer, esse é obviamente um dos motivos. Mas não é o único! As ondas existem por um propósito bem maior: nos dar lições de vida!
Existem dias de mar sem ondas, oceano tranquilo. Existem dias de ondas fortes, dias com tormenta. E também existem dias no qual o mar está perfeitamente normal: ondas do tamanho e velocidade corretos. Tudo na medida. E assim também é a vida. A vida é o mar, as ondas, recomeços. Ás vezes, eles chegam quando você menos espera, em dias de mar calmo. Esses recomeços, muitas vezes, tiram seu chão. A pior parte é que mal você termina de se adaptar a eles e, puft! Novas ondas no mar!
“Ai meu Deus, que clichê!” Silêncio, estraga prazeres! Sou mesmo um amontoado de clichês, e gosto disso. Tem alguma coisa contra? Por que tudo precisa ser original, novo? Diga-me, por quê? Se pararmos para pensar, a água do mar é a mesma a cada nova onda. E cada nova onda é original. Logo, as ideias que servem como ponto de partida para novos escritores podem até ser as mesmas. Mas cada nova obra é original. Contém a essência de quem escreveu, e isso, no fim das contas, é o que mais importa.

Mar
Amar, brincar, sonhar
Se apaixonar
Mar
Ser, crescer, viver
O mundo conhecer
Aprender
Mar
Sempre novos recomeços
Sempre a mesma vida
Mar
Sempre novas ondas
Sempre a mesma água
Mar.

 Um beijo, Taís K.

Um comentário:

  1. Eu sempre acho coisas super clichês, porém o que você disse me fez pensar. Que todo novo texto é original, mesmo que a ideia seja a mesma. Adorei isto. Podemos pegar poesias como exemplo. Todos são poesias, todos são diferentes. E comparar isso eu mar fez eu me apaixonar. Você devia postar um vídeo falando disso! Ia ser poético!
    photo-and-coffee.blogspot.com

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