Marcadores principais

Feliz Natal

25.12.14

Poem A Day 25 - Tema: O Vermelho
Feliz Natal


Ela me disse que suas intenções eram boas. Eu, tola, acreditei. Eu sempre acredito nas pessoas. Deus, preciso parar com isso! Antes que essas mesmas pessoas me matem. Não de propósito, talvez. Mas continuar a acreditar nelas fará com que eu morra algum dia. Tenho absoluta certeza disso.
Tudo começou com a Abigail me incomodando a semana inteira. "Vamos, Tamires! Passar o Natal com a galera vai ser super legal!" Eu disse que não. Natal é um dia no qual devemos celebrar junto de nossa família, não de nossa pseudo ex-melhor amiga doida (a.k.a. Abigail), o namorado dela e mais um monte de adolescentes tediosos (a maioria tem dezoito, mas isso não importa), em uma festa que acontecerá na casa de um deles. Abigail é amiga da pessoa que está organizando a festa. Abigail é toda enturmada com a galera popular. Eu não. Acontece que Tamires e Abigail são amigas há muito tempo. Caso não tivéssemos nos conhecido há séculos atrás, tenho certeza de que a Tamires aqui e a Abigail atual jamais teriam simpatizado uma com a outra. Eu não gosto da pessoa que ela é agora.
"Ricardo dá uma carona de ida e volta pra gente! Ele é super confiável!", ela me disse. Gabando o namorado para mim, como sempre. Não que eu me importe com isso, é claro. Não costumamos nos falar muito, eu e Abigail. Não mais. Confesso que não entendi porque raios ela me chamou para essa festa. Mas uma pequena parte - iludida - de mim acreditou que, talvez, ela quisesse se reaproximar de mim. Em determinado momento, Abigail me olhou, fez uma expressão triste e falou "Eu só... Queria que voltássemos a ser amigas como antes. Deixe-me te mostrar parte do meu mundo, tá bem?"
Eu caí feito um patinho.
Falei com meus pais e eles me liberaram numa boa. Pareceram tristes, fizeram milhares de perguntas sobre a festa (onde vai ser? Quem está organizando? Quem vai com você? Esse tipo de coisa), mas me liberaram. Especialmente quando eu disse que Abigail estaria lá. Meus pais não a veem faz muito tempo, por isso, acham que ela é uma pessoa excepcional. E ela era. Ou fingia ser, ao menos. Mas meu pai insistiu que ele me levaria a festa e me traria de volta para casa. Nada de carona com outras pessoas!
Coloquei um vestido vermelho de bolinhas na noite de Natal (véspera, na verdade) e fiz uma maquiagem leve. Meu pai disse que eu estava linda e me levou a tal festa. Chegando lá, dei de cara com o irmão mais novo do namorado da Abigail. O garoto se chama Renato, é um mala e tem a mesma idade que eu. Dezessete anos. E tem uma queda por mim. Eu não o suporto. Ele estava conversando com o irmão – ambos com uma lata de cerveja na mão – quando cheguei, mas parou de falar com Ricardo quando me viu e veio puxar conversa comigo. Parecia estar meio bêbado. Foi então que Abigail surgiu. Enquanto Renato falava sem parar, Abigail chegou próxima a mim e sussurrou "quebra esse galho pra mim? Obrigada." E então ela e Ricardo saíram de cena, se encaminharam para um dos quartos da casa.
Eu era o presente de Natal que Abigail deu a Renato. Ela estava me usando, é claro.
Eu olhei para a rua, na esperança de que o meu pai ainda estivesse lá com seu carro. Não estava. Eu disse a Renato que precisava ir embora, "Tchau pra você." Eu planejava ir até o pátio e ligar para o meu pai. Mas Renato não me deixou seguir com meus planos. Me segurou com força pelo braço. Com tanta força a ponto de quase fazer doer. "Fica mais um pouco, você acabou de chegar." Ele tentou me beijar a força, mas, por sorte, consegui me soltar. Ele realmente estava bêbado. Saí correndo em direção à rua.
Carro.
Buzina.
Uma garota de vestido vermelho assustada.
Caída no asfalto.
Sangue.
Uma perna doendo muito.
Quebrada.
Carro indo embora na velocidade da luz.
Muito, muito sangue.
Desmaio.
Ho ho ho, Feliz Natal.
Textos macabros a parte, eu desejo a todos um Feliz Natal! 
Agora fiquem com a minha musiquinha de Natal favorita:


Bom Natal, um feliz Natal, muito amor e paz pra você, pra vocêêê... ♪ 

 Beijos, Taís K.

2 comentários:

  1. Ei Taís! *-*
    Garota, você arrasou! Parecia que estava lendo John Green ♥
    Adorei o modo como você descreveu a história, consegui sentir todas as emoções da sua mocinha. Ficou maravilhoso!
    Feliz natal atrasado hoho
    Beijinhos :*

    ResponderExcluir
    Respostas
    1. Hello, xará! *---*
      Este conto foi mesmo inspirado em um livro do John Green, Cidade de Papel. E também em um livro do Jay Asher, Os 13 Porquês. Muito obrigada! ^^
      Feliz Natal (super) atrasado pra você também!
      Beijões! ♥

      Excluir