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Resenha: Onde a Lua Não Está, de Nathan Filer

7.1.15

Título: Onde a Lua Não Está.
Autor: Nathan Filer.
Editora: Rocco.
Número de páginas: 271.
Sinopse: Numa viagem de férias em família, dois irmãos saem numa aventura infantil no meio da noite, mas apenas um deles volta a salvo para casa. Permanentemente assombrado pela morte do irmão, portador da Síndrome de Down, Matthew nunca desistiu de tentar entender o que aconteceu na fatídica noite e acredita ter descoberto uma maneira de trazê-lo de volta, neste comovente romance de formação que inspirou um curta-metragem dirigido por Udo Prinsen. Finalista do Costa Book Awards, Onde A Lua Não Está é o elogiado romance de estreia de Nathan Filer, enfermeiro da área de saúde mental e poeta performático britânico.
Livro no: Skoob - Orelha de Livro.


Esta resenha não contém spoilers. Todos os fatos que digitei aqui acontecem logo nas primeiras páginas do livro.

"Vou te contar o que aconteceu porque será uma boa maneira de apresentar meu irmão. O nome dele é Simon. Acho que você vai gostar dele. Eu gosto de verdade. Mas, daqui a algumas páginas, ele estará morto. E ele nunca mais foi o mesmo depois disso."
O trecho a cima é um quote do livro. O quote que está escrito na contra capa de Onde a Lua Não Está. A capa desse livro me chamou atenção na última feira do livro de Porto Alegre. Acontece que, nessa feira do livro, eu não consegui encontrar nenhum dos livros que eu queria desesperadamente comprar. Então eu li o trecho da contra capa de Onde a Lua Não Está e acabei comprando-o, sem nem mesmo ler uma sinopse de verdade. Por isso, a leitura de Onde a Lua Não Está foi bastante surpreendente para mim.

Eu pensei que a história aconteceria em um universo fantástico, onde o irmão morto do protagonista voltou a vida ou algo assim. Ha ha, grande ilusão! Falando (digitando) sério agora: Matthew é o nome do protagonista. Quando criança, ele tinha um irmão mais velho com Síndrome de Down, e o nome dele era Simon.

Matthew era uma criança sem problemas psicológicos, até bem popular na escola. Ele e Simon tinham uma vida bem legal. Mas em uma certa viagem em família, Matthew e Simon saíram para brincar, escondidos, a noite. Quem teve a ideia deles saírem pra brincar foi Matthew, que ainda estava pensando no enterro de uma boneca, enterro este que ele presenciou mais cedo naquele dia. Caso for ler esse livro, não se esqueça do enterro da boneca. É um fato importante.

Naquela noite, a brincadeira acabou em tragédia.
Simon morreu.
Fim.
O fim dele.
O fim da sanidade de Matthew.
Mas apenas o começo da história.

Matthew ficou piradinho das ideias com o passar do tempo, e encontrou uma espécie de refúgio na escrita. O livro é "escrito por Matthew", digamos assim. Por um Matthew já adulto, com 19 anos. Que narra pedaços da sua infância, adolescência, vida adulta. Nós, leitores, entramos na mente de Matthew. Presenciamos seus surtos de esquizofrenia. Nunca sabemos se o que ele diz é real ou não. Talvez ele aumente a proporção de algumas coisas, invente outras, em geral, não dá pra saber.

A narrativa de Onde a Lua Não Está não é linear. Em alguns momentos, Matthew pode estar falando da sua infância, pular pra vida adulta, adolescência. Ou ele pode começar a contar algo e terminar só mais lá pra frente, um exemplo disso é a causa específica da morte de Simon: nós só descobrimos como exatamente ele morreu lá no finalzinho do livro.

Em determinado ponto do livro, Matthew se alegra ao rever seu irmão, ao brincar com ele novamente graças a esquizofrenia, e se recusa a mandá-lo embora uma segunda vez. A culpa que ele sentia pela morte do irmão fez com que ele ficasse louco. Ou apenas fez com que a loucura contida nele se manifestasse, vai saber... Em sua árvore genealógica, já constavam algumas pessoas loucas, afinal.
"O irmão dela tem uma doença, uma doença com a forma e o som de uma serpente. Ela desliza pelos galhos de nossa árvore genealógica. Deve ter partido seu coração saber que eu era o próximo."
O autor, Nathan Filer, é enfermeiro na área de saúde mental. Onde a Lua Não Está foi seu livro de estréia. Filer abusou de seus conhecimentos sobre o psicológico humano para escrever um livro sensacional. Onde a Lua Não Está mexeu comigo. Me deixou pensativa, triste, pessimista. Me doía ver as alucinações de Matthew, perceber como ele passou a sentir sozinho após a morte do irmão, como foi, aos poucos, se isolando - e sendo isolado - do mundo.

Onde a Lua Não Está é um livro pesado. E com uma narrativa que pode se tornar um pouco confusa para pessoas desatentas. Esse não é um livro pra todo mundo. Eu pausei a leitura na metade do livro e fui ler um livro mais "feliz", porque, honestamente, a sensação de ler Onde a Lua Não Está é um tanto... claustrofóbica? Talvez. Essa não é a palavra exata, mais chega perto.

Então, eu recomendo a leitura de Onde a Lua Não Está. Caso você esteja preparado(a) para lê-lo, claro.
É um livro fantástico.

Quotes:
"Ler é meio parecido com alucinar."
"OLÁ, meu nome é o seu potencial. Mas pode me chamar de impossível. Eu sou as oportunidades perdidas. Sou as expectativas que você nunca vai cumprir. Sempre estou implicando com você, por mais que você se esforce, por mais que tenha esperanças."
"Não odeio essas pessoas. Só odeio não ter a opção de me livrar delas."
"Este é mais ou menos o retrato de nossa família. Não é o tipo de coisa que você ache que vá lhe fazer falta. Talvez você nem mesmo perceba tudo isso naqueles milhares de vezes, sentado entre sua mãe e seu pai no sofá grande e verde, com o irmão mais novo no carpete atrapalhando a visão da TV. Talvez você nem mesmo tenha notado.
Mas nota quando ele não está mais ali. Nota muitos lugares onde ele não está mais e ouve muitas coisas que ele não diz mais.
Eu ouço.
O tempo todo."
“As pessoas sempre pensam que sabem com o que os mortos se importariam ou não, e é sempre com o que elas se importam ou não.”
“O pior nessa doença não são as coisas em que ela me faz acreditar, ou que me obriga a fazer. Não é o controle que ela tem sobre mim, nem mesmo o controle que ela permite que outras pessoas tenham.
O pior de tudo é que me tornei egoísta.
A doença mental volta as pessoas para dentro. É o que eu acho. Deixa-as para sempre presas pela dor de nossa própria mente, da mesma forma que a dor de uma perna quebrada ou um polegar cortado prenderá sua atenção, segurando-o tão firmemente que parece que sua perna boa ou seu polegar bom deixaram de existir. 
Estou preso a olhar para dentro.” 
“Acho que as crianças acreditam no que querem acreditar. Talvez os adultos também.”
Classificação: 
Perdoe-me se esta resenha ficou um tanto confusa. Escrever sobre esse livro foi tão difícil pra mim quanto lê-lo.

Beijos, Taís K.

8 comentários:

  1. Ótima resenha! Me interessei pelo livro, é algo bem diferente das minhas últimas leituras. Já está na lista!

    Beijos,
    Blog Entretanto

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  2. Que gracinha! Você e seus livros da área de psicologia. Sua linda <3 Mais uma vez me deixou caindo de amores e necessitando um livro!

    Um beijo grandããão!!
    Cá do Aquela Princesa

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    1. Me abraça, Carol <3 Haha, que bom!
      Beijããão! ♥

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  3. A resenha ao meu ver ficou muito boa. Consegui entender perfeitamente a ideia que você quis passar. Achei a estória bastante interessante, fiquei realmente com vontade de ler, e curiosa pra saber a causa da morte! Já passaram umas ideias muito loucas na minha cabeça sobre isso. Mas só suposições hahah
    Obrigada pela dica! Lerei-o!
    Beijo.
    Enquantoachuvadissolveacidade.blogspot.com.br

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    Respostas
    1. Sério? Muito obrigada! Asahsuhahas' também tive algumas ideias bem doidas sobre a causa da morte do Simon!
      De nada! ^^ Obrigada pelo seu comentário, Andressa!
      Beijo! ♥

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  4. Taís, adorei. Adorei a história, a capa, a sua resenha, os quotes... Tudo! Sério. Fiquei bem curiosa... Gosto de livros confusos, e que você tem que ter muita atenção lendo ele. Acho que me daria muito bem com Onde a lua não está. Ótimo livro *u*.

    Um beijo.
    psicot-i.blogspot.com

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