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Somos Quem Podemos Ser #11

9.1.15

Capítulo 11:
Questão de Tempo


No segundo dia de aulas, Melina acordou no horário certo. Ela e Lúcia foram caminhando pra escola, e chegaram alguns minutos antes da aula começar, inclusive. Na frente da sala de aula, haviam dois bancos, onde alguns dos colegas de turma delas estavam sentados, inclusive Mariana e Vinícius.
- Bom dia! - Disse Mariana.
- Bom dia! - Melina e Lúcia responderam, praticamente ao mesmo tempo.
- Que aula será que teremos agora? - Perguntou Lúcia.
- Eu não faço a menor ideia. - Vinícius respondeu. - Ei, Lúcia. Eu assisti ao seu filme favorito ontem. Minha mãe tinha alugado o DVD, resolveu assistir e eu assisti com ela. Gostei bastante.
- Eu sabia que iria gostar! Efeito borboleta é um filme excelente. - Lúcia respondeu.
- Sobre o que é esse filme? - Perguntou Mariana.
Efeito Borboleta é um filme no qual o protagonista tem o poder de viajar para o passado. Acontece que ele faz pequenas mudanças na vida das pessoas, que, a princípio, são boas, mas que sempre geram resultados desastrosos. Ele vai mudando e mudando o passado, cada vez mais, o que consequentemente muda toda a sua vida e das pessoas que ele ama.
Lúcia é viciada em ficção científica, especialmente em viagem no tempo. Viciada mesmo.
- Parece legal, mas eu prefiro comédias românticas. - Respondeu Mariana.
O sinal bateu e todos entraram na sala de aula. Não havia espelho de classe, ainda era muito cedo para isso. Mas Melina e Lúcia decidiram sentar-se no mesmo lugar do dia anterior. E Melina observou que Roberto tomou a mesma decisão. Ele estava concentrado em seu caderno, com uma caneta em mãos. 
Dentro de alguns minutos, uma mulher adulta apareceu na sala de aula.
- Bom dia. Meu nome é Vanessa e eu sou a coordenadora da escola. Hoje vocês teriam o primeiro período com sua professora de biologia, mas ela não pôde comparecer.
- Ah, não! Professores substitutos... - Algum aluno disse.
- Não. Nada de professores substitutos. Vocês não são mais do ensino fundamental. Se o professor não está e não deixou nenhuma atividade pra turma, o que é o caso de agora, vocês não terão aula. Podem até sair da sala, se quiserem. Contanto que não façam bagunça e voltem alguns minutos antes do segundo período começar.
Dito isso, a mulher saiu da sala.

***

Melina e Lúcia estavam caminhando sem rumo pelos corredores da escola, que era uma três vezes maior do que a antiga escola em que estudaram. Caminharam até dar de cara com a biblioteca, e nela entraram.
Ambas se assustaram com o tamanho da biblioteca. Era enorme. Melina e Lúcia começaram a olhar os livros. Lúcia foi para perto de uma estante longe daquela em que Melina estava a observar os livros. Dentre os livros, Melina encontrou um que queria muito ler, desde o dia de ontem. A Lista Negra. Ela leu a sinopse.
- Lina? Achou algum livro legal? - Perguntou Lúcia, caminhando em direção a amiga.
- Vou retirar este. - Melina disse enquanto erguia o livro.
- A Lista Negra. - Lúcia leu o título. - E sobre o que fala?
- Sobre um casal de adolescentes que sofre bullying. Um dia, o garoto vai armado pra escola e atira nas pessoas que costumavam praticar bullying contra eles. Depois, ele se mata. Aí a namorada dele, a protagonista, tenta seguir com sua vida depois disso. É o livro favorito do Roberto.
- Ele não podia gostar de algo menos mórbido? - Lúcia perguntou, fazendo uma careta estranha.
Melina deu de ombros. Elas se encaminharam para o balcão do bibliotecário e Melina retirou o livro, enfim. Lúcia retirou um livro chamado Coração de Tinta. Melina comentou que deseja ler aquele livro depois de A Lista Negra. Ambas leram seus respectivos livros durante o restante daquele período livre.

***

As demais aulas ocorreram monotonamente. Porém, Melina tomou um grande susto ao chegar em casa: viu sua mãe, deitada no sofá, aparentando não estar nada bem.
- Já chega, Amélia. Nós vamos pro hospital é agora. - Disse Daniel, e só então percebeu a presença de Melina - Oi, filha. Sua mãe não está bem. Ela está sentindo fortes enjoos. Vou levar ela pro hospital. Quer vir conosco?
- Já estou no carro. - Ela respondeu.

***

- Vovô? Vovó? - Roberto perguntou assim que chegou em casa após a escola, pois não viu ninguém na cozinha, e sua avó costuma estar na cozinha quando ele chega da escola.
- Roberto! Venha, aqui, no banheiro! - Era a voz do seu avô.
Roberto correu em direção ao banheiro, e a cena que viu foi terrível. A avó estava sentada dentro da banheira, com suas roupas e tudo mais. A banheira estava cheia, e ela estava inconsciente e com a cabeça sangrando um pouco. Seu avô estava a segurando, para que não afundasse na água. A banheira era grande o suficiente para que uma pessoa fosse capaz de se deitar nela.
- Ela estava tentando se suicidar. Cheguei a tempo de salvá-la, mas ela gritou comigo. Se debateu dos meus braços e acabou batendo a cabeça na parede e desmaiando. Me ajude a tirá-la daqui, Roberto.
Ele ajudou. Tiraram a avó da banheira, a secaram do melhor jeito possível e a colocaram dentro do carro. Ela permaneceu inconsciente o tempo inteiro. No caminho em direção ao hospital, Roberto não conseguia parar de pensar que mais uma pessoa o deixara. Tentou deixá-lo, na verdade. Não obteve sucesso em sua primeira tentativa. Mas todo mundo sabe que, quando o desejo de alguém é acabar com a própria vida, é só questão de tempo até que a pessoa consiga atingir seu objetivo. E, quando uma pessoa deseja morrer, significa que já está morta por dentro. Não há nada que possa ser feito a respeito. Ao menos não segundo a opinião de Roberto.
- Ela estava se afogando... Ela estava se afogando... - Seu avô ficou repetindo, em sussurros, durante todo o percurso em direção ao hospital.
Para acessar uma lista com os capítulos anteriores, clique aqui.

6 comentários:

  1. Que tri!
    E que coincidência eu também postei parte de um conto hoje!
    To indo ler os capítulos anteriores!
    Bjs da LE
    Le Versos & Controvérsias

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    1. Obrigada!
      Vou lá conferir seu conto, Le!
      Beijos ♥

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    2. Adorei o novo capítulo. Confesso que acabei me emocionando, e chorei... Passei por uma situação familiar um tanto parecida. E sobre a frase "Mas todo mundo sabe que, quando o desejo de alguém é acabar com a própria vida, é só questão de tempo até que a pessoa consiga atingir seu objetivo." eu não concordo... Acho que se a pessoa tiver uma razão por viver, ela pode superar isso.

      Taís e sua impecável escrita. Sempre diva, amiga! heuheu
      Um beijo.

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    3. Só deixando bem claro: essa frase aí é a opinião do personagem Roberto. Ele vai mudar de ideia, ô se vai! Todos irão enxergar uma boa razão para viver nessa web novela.
      Muito obrigada, migs! ♥
      Beijo!

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  2. Você fica fazendo as pessoas chorarem com esse capítulo e depois para de postar! Não aceito. Quero capítulo novo! Ai. Ai. Eu tô apaixonada por essa história.

    Beeeijos! ♥

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    1. Ei, o capítulo 12 já tá no blog! u.u Muito, muito obrigada! ♥
      Beijões!

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