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Somos Quem Podemos Ser #12

19.1.15

Capítulo 12:
Um milhão de vezes, NÃO!
- Ela está gravida! - Foi o que o doutor disse a Melina e seu pai.
Ambos sorriram, aliviados. Esperavam que o motivo do enjoo fosse qualquer coisa, menos isso. Daniel e Amélia sempre tomam todos os devidos cuidados para que uma gravidez inesperada não aconteça. Mas nada é realmente impossível...
- Eu nem consigo acreditar! - Disse Amélia. - Tá certo que a minha menstruação não estava vindo fazia um tempo... Eu devia ter desconfiado, devia sim!
Daniel abraçou a esposa.
- Estou muito, muito feliz.
- Gente, eu vou ter um irmão ou irmã! Nem creio! - Disse Melina.
Amélia abraçou a filha.
- Tá com fome, Lina?
- Tô, mãe.
- Vamos comer alguma coisa, então.
- Mas e os seus enjoos? Já tá completamente bem? - Perguntou Daniel.
- Olha, eu pensei que a gente podia comer alguma coisa no bar aqui do hospital mesmo. Eu estou bem sim, mas sem muita fome. Um pão de queijo pra mim já tá bom.
- Vamos pra lá, então. - Disse Lina.
E eles foram em direção ao elevador.

***

"Vá comer alguma coisa, Roberto. Você parece faminto. Pega, esse dinheiro aqui deve ser o suficiente.", foi o que seu avô disse. Dona Nocila já havia acordado, mas, aparentemente, não queria falar com ninguém. O avó de Roberto estava aflito.
Roberto decidiu subir as escadas em direção ao último andar, onde a lancheria do hospital se localiza. Um pouco de atividade física, de vez em quando, não faz mal a ninguém, afinal. E as escadas daquele hospital eram quase sempre desertas. Ele precisava passar algum tempo sozinho para digerir os acontecimentos recentes.
- Sinto muito, vovó. - Sussurrou para si mesmo.

***

- Dois folhados de frango e um pão de queijo, por favor. - Daniel fez o pedido, enquanto Amélia e Melina já estavam sentadas em frente a uma das mesas.
- Aqui está.
- Obrigado.
Ele sentou-se a mesa ao lado de Melina e Amélia, em seguida.
- Se a bebê for menina, ela pode se chamar Teodora? Acho um bom nome. - Sugeriu Melina.
- Cruzes, filha! Teodora é nome de velha pra mim.
- Ah, mãe. Mas tem um significado tão bonito: dádiva divina.
- É, o significado é bonito, mas o nome, definitivamente não!
- E se for menino, pode se chamar Alan... Significa paz e harmonia. - Continuou Melina.
- Filha, você passa o seu tempo livre visitando sites com nomes pra bebês? - Daniel perguntou.
- Não, pai! Eu tô com o site de nomes pra bebês aberto no celular agora mesmo. - Ela disse, e os três riram.
Após alguns poucos minutos, Melina avistou Roberto entrar no bar. Ele não a viu, pois estava olhando apenas para o chão. Pediu um pão de queijo e uma latinha de guaraná. Sentou-se em uma mesa distante.
- Mãe, olha discretamente pra lá. Aquele é o garoto que eu te falei.
Amélia observou discretamente, como a filha solicitou, mas Daniel, por outro lado, virou a cabeça em um ângulo de quase 360º em direção aonde Roberto estava sentado, ficou encarando o rapaz, e, ainda por cima, perguntou em um tom de voz não muito baixo:
- Que garoto!?
- Pai, calma. Ele é meu colega de classe. Só isso.
Daniel se acalmou, mas já era tarde. Roberto já tinha notado que estava sendo observado. Aliás, é bom tomar cuidado quando for encarar uma pessoa. Em geral, todos tem uma espécie de sexto sentido que permite saber exatamente quando alguém está lhe encarando. É assim que funciona.
Roberto olhou por alguns segundos para onde Melina estava, e, depois, abaixou a cabeça. Melina decidiu ir dar um oi para ele.
- Vou lá falar com ele rapidinho, já volto.

***

Não. Não. Não. Um milhão de vezes, NÃO!
Melina era a última pessoa que ele desejava encontrar ali. Na verdade, não desejava encontrar ninguém conhecido ali. Tantos hospitais na cidade e Melina precisa estar justo no mesmo em que ele se encontra!
- Oi, Roberto. - Melina disse se aproximando.
- Oi. - Ele respondeu.
- O que faz aqui? - Ela perguntou.
- Primeiro, o que você faz aqui? - Ele retrucou.
Melina não gostou nadinha da atitude que ele estava tendo. Nadinha mesmo.
- Minha mãe estava se sentindo um pouco mal, então eu e meu pai a trouxemos para cá. Ela está grávida! - A animação de Melina era mais do que visível, quase palpável.
Roberto se sentiu, no mínimo, injustiçado. Pelo pouco que conhecia Melina, já sabia que ela leva uma vida feliz. E, veja só, agora teria um(a) irmão(a)! O mesmo dia que estava sendo horrível para ele, estava sendo mais do que fantástico para ela. Isso era muito injusto! Especialmente porque ele não tem um dia realmente fantástico há tempos.
- Agora, por que está aqui? - Melina perguntou, um pouco constrangida pelo silêncio.
- Porque minha avó tentou se matar.
Foi um choque para Melina.
- Eu sinto muito... - Ela disse.
- Não! Eu não quero que se incomode! - Roberto falou, enquanto se levantava. - Seu dia está perfeito, não é? Eu não quero estragar. Não quero estragar mais nada. Tchau. - Disse ele, enquanto saía da lancheria, com a latinha de guaraná e o pão de queijo em mãos.
Melina ficou parada por alguns instantes, perplexa. E depois voltou para sentar-se com seus pais.
- O que aconteceu? - A mãe perguntou.
- Ele é um grosso, mãe.
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2 comentários:

  1. simplesmente AMEI seu blog menina!! tudo muito lindo, textos, o blog em si, enfim já te segui, se quiser retribuir http://lolitalolitando.blogspot.com.br/ se gostar é claro haha, mil beijos :*

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