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Uma Infância Dahora

13.1.15


O primeiro texto que eu escrevi em 2015. Espero que goste! ♥
Quando eu era mais nova e tinha uns 5 pra 6 anos, eu passava a tarde, após a escola, na casa de uma senhora que cuidava de mim e de mais algumas crianças. Para ser franca, não lembro os nomes de nenhuma das crianças, mal lembro de como elas eram fisicamente. Mal lembro de como a senhora que me cuidava era. Só lembro que ela era uma mulher muito simpática.
Ela tinha um filho e uma filha. Ambos adultos, ou quase isso. O filho tocava violão e fazia limpeza nos dentes periodicamente. Eles eram super brancos! "Eles costumam ficar amarelados por causa do café", ele disse uma vez. A filha, certa vez, inventou de fazer pulseiras para vender e chamou algumas crianças para ajudar. Inclusive eu. A maioria das crianças não pegou o jeito da coisa, mas eu peguei. E, ao final de tudo, ela me deu uma mini barrinha de chocolate como agradecimento por eu tê-la ajudado.
O terreno onde a senhora morava era grande e cheio de árvores altas - talvez não tão altas assim, mas para uma criança de 6 anos... -. Eu costumava subir nelas. Uma, em especial, a mais alta, era a minha favorita. Os galhos do topo tinham uma determinada forma que os tornava ideais para que nós, crianças, nos sentássemos neles. E, nos fundos do terreno, havia um muro de tijolos. Não muito alto, mas também não muito baixo. Um tamanho bom de muro.
Acontece que, logo nos primeiros dias em que eu passei a frequentar a casa daquela senhora, as crianças mais experientes, que já ficavam lá havia um tempo, me contaram como costumavam subir em cima daquele muro: era com o auxílio de um esqueleto de uma cadeira de madeira grande, meio quebrada. Me disseram para tentar subir também, e eu tentei mesmo. Aquela cadeira poderia se partir em duas com meu peso, ou eu poderia cair para trás e quebrar as costas - se bem que as crianças trataram de firmar a cadeira no chão e segurá-la para mim, mas, ainda assim, é uma hipótese - mas, mesmo assim, eu subi. 
Costumávamos ficar um tempão sentados naquele muro, comendo as ameixas que cresciam no terreno vizinho e estavam ao nosso alcance. Um dia, eu e o meu amigo da época - não lembro do seu nome, muito menos da sua aparência física, mas sei que o nome começava com "A" - invadimos o terreno do vizinho dos fundos através daquele muro. 
O terreno da senhora que nos "cuidava" - cuidava entre aspas, porque ela não sabia das coisas que aprontávamos, dos riscos que corríamos - era ao lado de um milharal. Em uma outra ocasião, eu e meu amigo fugimos para esse milharal também. Foi tudo muito divertido. Um dia, lembro-me de ter dito ao "A" que eu acreditava que nossos sonhos eram as coisas que a nossa alma fazia enquanto nosso corpo dormia, que tudo aquilo com o que sonhamos são as aventuras vividas por nossa alma. Ele concordou comigo.
Uns tempos depois, a senhora decidiu mudar-se de casa. Ela disse que continuaria cuidando das crianças, caso os pais assim desejassem. Eu nunca sequer pisei na nova casa dela. Meus pais foram lá dar uma olhada e disseram que havia um cachorro grandão e bravo no terreno dos fundos, que o muro era pequeno e que acharam aquilo perigoso, porque "Vai que, algum dia, uma criança acaba fugindo pro terreno dos fundos? É perigoso... A Taís não vai vir pra cá não!", disseram.
Meus pais não sabiam que eu costumava pular o muro da antiga casa da senhora, e, mesmo assim, tomaram a decisão certa. Eu não era uma criança lá muito ajuizada, podia ter me metido em altas encrencas com aquele cachorro.
O fato é que eu nunca mais revi o garoto cujo nome começa com a letra "A", nem o restante dos meus amigos. Se hoje eles cruzassem por mim na rua, eu não os reconheceria. E sei que eles não me reconheceriam também. Mas foi bom enquanto durou, foi sim!
Eu tive uma infância dahora. E não digo isso apenas pelos amigos que eu tive na casa daquela senhora, mas também pelos amigos aqui da minha rua. Brincamos muitas, muitas vezes! Pega-pega, esconde-esconde, elefante colorido, sete voos, uno, vôlei, yu-gi-oh!, corrida ao banco - um jogo que imita banco imobiliário -, andamos muito de bicicleta também, enfim. Hoje, algumas dessas pessoas se mudaram de cidade, de estado. Outras continuam por aqui, mas deixei de conversar com a maioria delas. Quero dizer, de conversar como antes. Ainda nos cumprimentamos e tudo mais, porém, a infância acabou e cada um está seguindo seu próprio caminho.
Mas que eu tive uma infância dahora, ah, isso eu tive!

Beijos, Taís K.

14 comentários:

  1. Infância, melhor parte da vida.
    Seu texto ficou tão cute cute, Taís :3 Pude imaginar a casa, as crianças, o muro... perfeito para ser o primeiro texto do ano!

    Beijos,
    Blog Entretanto

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    1. Melhor parte, sem dúvida nenhuma.
      Obrigada, Juh! ♥
      Beijos!

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  2. Amei o texto, e como contou sua infância... realmente ela parecia super dahora! Eu não tinha tantas aventuras assim, mas tudo bem, rsrsrs...
    Amei <3

    Beijos =)

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  3. Contagiante <3 ashashuan Sua infância foi ótima, ainda me lembro de algumas coisas da minha, eu era que nem você rsrs Me pendurava nas arvores que tinha perto de casa, um balanço, e também tem um milharal <3 Bem, foi bom enquanto durou, beijos :**

    amoresporficcao.blogspot.com.br

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  4. Olá, gostaria de registrar que gostei de mais desse site.
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    Mensagem edificante para alma.
    Josiel Dias
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  5. Minha infância foi mais ou menos assim, fazíamos muitas atrapalhadas e corríamos muitos riscos, subir na árvore era uma aventura e tanto. Adorei o texto, senti uma nostalgia danada!

    Garota Vertigem

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    1. Nostalgia é a palavra que melhor define o que eu senti enquanto o escrevia! ^^ Fico feliz que tenha gostado, obrigada! ♥

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  6. Que doçura de texto, Taís! Além de acompanhar sua infância dahora eu também pude, através de seus parágrafos, reviver um pouco da minha própria infância... Uma fase maravilhosa, sem sombra de dúvida. Entristece-me um pouco saber que as "crianças de hoje em dia" (e talvez as do futuro) estejam trocando a imaginação, os brinquedos e mesmo a bagunça pela tecnologia e por atitudes que não correspondem ao que se espera da idade delas — quero dizer, o que eu mais vejo por aí são meninas e meninas de 8,9 anos agindo como se tivessem mais de 15!

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    1. Muito obrigada, Lari! Você nem imagina como fico feliz em saber que você gostou! ^^ Ah, eu concordo com você... As crianças de hoje em dia são tecnológicas demais! E precoces também.

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  7. A minha infância nem foi essas coisas todas. Apesar de ter passado a maior parte da infância e toda a minha adolescência em Portugal, eu não tive o gênero de brincadeiras que uma criança brasileira costuma ter. Passava os dias no apartamento na companhia de uma televisão, internet banda larga mais rápida do que o trem bala...

    ...Mas não foi uma infância que eu possa considerar "infantil". kkk
    Amei o seu texto, dá aquela sensação de nostalgia do tempo que passou depressa demais. kkkk

    Beijos
    > Sentido Literário <

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