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Somos Quem Podemos Ser #13

3.2.15

Capítulo 13:
Piscólogos e Stalkers


- ...Então, é isso. Nossa vida era bem legal. Roberto era uma criança feliz e de sorriso fácil. Mas, desde que a mãe e irmã dele morreram naquele maldito acidente, ele entrou numa fossa muito grande, gigantesca. E ele não conseguiu sair dela até hoje. Temo que nunca consiga. Consequentemente, ele está arrastando a mim e a meu marido pra essa fossa também. Tudo que eu quero é superação e felicidade outra vez.
E com esta fala, Dona Nocila, enfim, terminou de contar seus problemas para a psicóloga. Faziam cinco dias desde sua tentativa de suicídio. Essa era a sua primeira sessão.
- O motivo da sua tristeza é preocupação demasiada com a tristeza dos outros? - Perguntou a psicóloga.
- Não é tristeza dos outros, é a tristeza do meu neto. - Respondeu Dona Nocila, na defensiva.
- Calma, este é um ótimo motivo para se entristecer. É perfeitamente compreensível. Seres humanos se relacionam como ingredientes de um bolo, eu diria. Imagine que a sua felicidade é um ingrediente e que a felicidade todas as pessoas que você ama e com as quais se importa, sejam outros. Se falta um ingrediente, o bolo sai incompleto, ruim.
- Você só está dizendo coisas que eu já sei. Metáforas do que eu já sei.
- Senhora Nocila, você não pode acabar com o sofrimento dele, mas pode estar por perto, e se manter feliz, para quando ele precisar de sua ajuda. Você é um exemplo para ele, eu tenho certeza absoluta disso.
- Acontece que eu venho me mantendo forte a anos. Mas ele nunca melhorou por causa disso.
- Talvez você pudesse trazê-lo para uma sessão comigo.
- Não. Ele não irá querer vir. Ele já frequentou psicólogos antes, porque nós o obrigamos. Ele disse que psicólogos são só um bando de pessoas normais que tem seus próprios problemas, e, ainda assim, tentam interferir nos problemas da vida dos outros, quando elas mesmas não sabem de nada.
- Psicólogos não fazem parte da vida das pessoas com as quais conversam, Senhora. Temos nossos próprios problemas pessoais, mas somos treinados para olhar para os problemas dos nossos pacientes com uma determinada perspectiva.
- Eu sei disso, minha cara. Não concordo com a opinião de meu neto. Mas o fato é que, depois de algumas poucas sessões, ele parou de falar com o piscólgo. Ficou em silêncio durante três sessões inteiras, então, decidimos que estava na hora de parar.
Caroline, a psicóloga, calou-se por alguns segundos e pensou bem no que disse a seguir:
- Neste caso, Senhora Nocila, sei que vai parecer absurdo o que te direi a seguir, mas, não se preocupe tanto com ele. Só esteja sempre ao lado de Roberto, todas as vezes em que ele precisar. Esse garoto tem muitos monstros dentro de si, mas a razão pela qual ele não quer contar com a ajuda de psicólogos, é porque ele acredita que pode lidar com esses monstros sozinho. Que todas as pessoas tem o dever de lidar com seus próprios problemas, é nisso que ele acredita. Por isso sua opinião sobre psicólogos, dizendo que somos apenas pessoas com problemas tentando aconselhar outras pessoas. Roberto sabe que só ele pode resolver seus problemas internos.
- Me desculpe, mas eu já sabia de tudo isso. Não ajudou em nada.
- Eu não deveria falar isso, é antiético, mas falarei assim mesmo: Senhora Nocila, já passei por uma situação extremamente parecida com a de Roberto. Já senti o mesmo que ele, já pensei o mesmo que ele. E dei a volta por cima.
- Agora sim. - Dona Nocila sorriu. - Agora você me fez criar esperanças, moça. Exemplos reais, é disso que preciso agora.

***

Desde o encontro no hospital, Melina e Roberto não se falaram mais. Passaram a se evitar na escola. Ou melhor: Melina o evitava e Roberto evitava todo mundo. Mas Melina ainda queria se aproximar dele e descobrir o que realmente estava acontecendo de ruim na vida dele. Sim, sua intuição de que a tentativa de suicídio da avó dele era só a ponta do iceberg só aumentava. Precisava descobrir alguma coisa sobre ele, precisava sim!
Em meio a suas andanças pelo facebook, Melina viu uma garota que, há alguns dias atrás, estava postando status completamente apaixonados, agora postando frases sobre desilusões amorosas e como seguir em frente. Tudo no modo público, para todo mundo ver. A vida inteira daquela garota está online. Isso! Online! Procurou pelo nome completo de Roberto no facebook. Achou um perfil com uma foto dele, mas, fora a foto, estava completamente vazio. Afinal de contas, enquanto alguns expõem cada segundo de suas vidas na internet, algumas pessoas preferem permanecer anônimas. Talvez anônimas demais.
Procurou pelo nome dele no google. Nada também. Desistiu. Stalkear ele foi uma missão fracassada, afinal. Decidiu, por fim, que a única maneira de descobrir mais sobre Roberto é falando com o Roberto. Ela tentará estabelecer contato com ele mais uma vez, sim. Só mais uma tentativa.
Para acessar uma lista com os capítulos anteriores, clique aqui.

2 comentários:

  1. Oii
    Vi seu Link no blogroll do Blog FalaDantas e achei super legal,
    Estou te seguindo!
    Seu blog é lindo, quando tiver um tempinho visita o meu.
    Beijos
    http://blogdadanielamachado.blogspot.com.br/

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  2. Taís, adoreeeei! Você sempre escrevendo perfeitamente. :3 Cara, eu sempreee quis ir em um psicólogo. Acredito eu, que iria chorar muito, mais ok. :v
    Esperando ansiosamente para a continuação da história de Melina (que vai ser o nome da minha filha u.u) e Roberto. <3

    Um beijo.
    psicot-i.blogspot.com

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